14 de janeiro de 2018

Mundo Animal - Um Documentário

Este é o macho em seu habitat natural.

A fêmea do bando foi caçar no mercado, então ele está sozinho com seu filhote. E assim já podemos aprender bastante sobre a dinâmica do grupo. A fêmea procura alimento no mercado, pensando se o filhote está seguro com o macho. Na toca, o macho torce para que a fêmea não se esqueça de comprar Coca-Cola.

Porém, o macho sabe que é sua obrigação cuidar do filhote. É preciso defendê-lo de outros predadores  mantê-lo alimentado. Para isso, ele mantém por perto uma pequena mamadeira preparada pela fêmea. Quando o filhote está com fome, o macho corre até a cozinha e pega a mamadeira.

Este é o macho alimentando seu filhote.

Existe uma diferença nas formas que o macho e a fêmea alimentam seu filhote. A fêmea sempre alimenta o filhote segurando-o com as duas mãos, para fazer com que ele se sinta protegido. O macho tenta equilibrar o filhote e a mamadeira com apenas uma mão, para poder mudar os canais da TV enquanto o bebê se alimenta.

Além disso, a fêmea sempre testa a temperatura do alimento deixando-o cair uma gota em sua própria pele. O macho tenta repetir esse movimento, mas não é tão hábil quanto a fêmea e quase derruba metade do alimento na pia. Mas, por fim, ele consegue medir a temperatura e, como seu braço não queimou, acha que a temperatura está boa.

Este é o macho tentando fazer seu filhote dormir.

Ele anda com o filhote em seus braços. Conversa com ele, explicando coisas sobre o mundo, a vida e o futuro que aguarda pelo filhote... Mas deixa todas as explicações em aberto quando sai um gol no jogo que está passando na TV e ele se desconcentra totalmente. Quando assiste ao replay, pergunta ao filhote “do que estávamos falando?”.

Como o filhote não responde, o macho decide cantar Beatles para fazer o bebê adormecer. Em alguns momentos, isso dá certo, até a hora que o macho decide colocar o filhote no carrinho. Aí o bebê acorda e começa a chorar e o macho comenta que tudo seria mais fácil se você me dissesse de quais bandas vocês gosta.

Este é o macho trocando a fralda do filhote.

Vemos aqui o macho no canto mais protegido da toca limpando seu filhote. O macho ainda não se entende direito com fraldas e tantas peças de roupas. Na verdade, existem momentos em que ele acredita que bebês poderiam ter menos pernas e braços. Ou que as pernas e braços se mexessem um pouco menos.

Mas o macho sabe que manter o filhote limpo é sua obrigação. Assim, ele tira a roupa e a fralda do filhote. Com um algodão úmido, limpa com cuidado o bebê, usando depois um lenço umedecido. Porém, ele encontrará problemas. Ao levantar as pernas do bebê para ajeitar a nova fralda, o macho é surpreendido por um esguicho pastoso do corpo do flhote.

Este é o macho coberto de merda.

O macho está estático, como se sentisse a presença de um predador. Mas, na verdade, ele está sentindo uma espécie de merda pastosa descendo pela sua barriga e sua coxa. O bebê olha para o teto, distraído com a lâmpada, como se nada tivesse acontecido. O macho olha ao redor e vê rastros de merda pelo chão.

Ele não sabe o que fazer. Ele sabia que filhotes podem urinar nos pais, mas, cagar... Ele tem certeza de que, em toda a floresta, isso aconteceria apenas com ele. Seu primeiro pensamento é pegar o filhote, correr até  o lava-jato da esquina e perguntar se “eu passar junto com ele vocês cobram só uma lavagem?”. O filhote começa a se mexer, espalhando a merda.

Este é o macho tentando limpar novamente o filhote.

Ele está de pé, com as pernas abertas, porque onde seu pé esquerdo estava há uma poça de merda. Mesmo assim, ele limpa mais uma vez o bebê com algodão e lenço umedecido, e prepara-se para colocar a nova fralda. Porém, descobre que ela também foi atingida pelo jato de merda e a joga no lixo.

O macho, então, apanha outra fralda na gaveta. Certo de que esta está limpa, começa a colocá-la no filhote até descobrir que ela também está suja de merda. Pergunta para o filhote se “você está de sacanagem comigo?”, mas logo descobre que a culpa não é do bebê, e sim dele, que está com um pedaço do braço cheio de merda e não tinha percebido.

Este é o macho tentando limpar a si mesmo.

Ele já arrancou sua camisa coberta de merda e jogou em um canto da toca (avisando ao bebê que “se você cagar em mim quando eu estiver sem camisa, eu vou cuspir na sua mamadeira”). Com uma mão ele segura o bebê; com a outra, ele se limpa com lenços umedecidos, torcendo para que a janela da toca, que está atrás dele, esteja fechada.

Ele inverte as mãos. Segura o bebê com a mão que usou para se limpar e usa um novo lenço para limpar o outro lado do corpo. Subitamente o filhote joga as pernas para o alto e as abre, como se estivesse executando uma dança. Por instinto, o macho se abaixa, mas respira aliviado quando vê que o filhote não disparou outra rajada de fluido orgânico.

Este é o macho tentando descobrir como vestir seu filhote.

Ele coloca a fralda em seu filhote, enquanto pede para que o filhote pare de mexer as pernas por um momento. Com o máximo de perícia que ele possui – o que é bem pouca, pois machos dessa espécie são naturalmente desastrados – ele consegue fechar a fralda e prepara-se para colocar a calça do filhote.

O macho não se entende com a calça. A cada tentativa, os pés do bebê parecem desaparecer no meio da calça e ele precisa colocar tudo de novo. O filhote, movendo as pernas, não ajuda muito e o macho pergunta se “você realmente não consegue se vestir sozinho? Eu posso passar as roupas que você escolher e você vai colocando, que tal?”

Este é o macho ainda tentando descobrir como vestir seu filhote.

Quando finalmente conseguiu colocar a calça no bebê, o macho percebe que esqueceu de puxar o body para baixo e fechá-lo. O filhote parece ter percebido isso e mexe as pernas com mais velocidade para celebrar sua pequena vitória. O macho considera a hipótese de fechar o body por cima da calça e foda-se, mas desiste ao perceber que a fêmea está para chegar.

O macho abaixa a calça novamente, ajusta o body do filhote e o fecha. Segura o bebê pelas pernas mais uma vez e ajusta a calça. Parece que boa parte do trabalho está feita, mas o macho sabe que o pior está por vir. Afinal, com a calça colocada, é hora de colocar as malditas meias.

Este é o macho olhando as meias do filhote.

Para o macho, aqueles pequenos pedaços de pano são um mistério. Ele segura uma na frente do rosto e fica analisando. A primeira parte é fácil, porque um lado é aberto e outro não, então o pé do filhote deve entrar no buraco. Mas o macho não sabe onde é o calcanhar da meia. Ele procura a inscrição “este lado para cima”. Como não a encontra, resolve ir na sorte.

O bebê parece gostar de colocar meias e resolve demonstrar  isso levantando as pernas e balançando os pés. Enquanto isso, o macho, tomando cuidado para não encostar a calça cheia de merda em algum lugar, fica tentando pescar o pé do bebê e vestir a meia. “Se você parar de mexer a perna por cinco segundos eu deixo você correr na rua depois”, ele propóe ao filhote.

Este é o macho limpando a toca.

O bebê já está no carrinho, em outro aposento da toca – suas meias não parecem muito certas, mas o filhote não está reclamando (e como o macacão vai por cima das meias, ninguém vai perceber). O macho não está perto do bebê. Ele está de quatro, no outro canto da toca, limpando os rastros de merda do chão com desinfentante.

O filhote começa a chorar. O macho fica aflito ao ver que seu filhote está chorando longe dele, e grita um palavrão. Está de cuecas, com a mão cheia de desinfentante e segurando papel toalha, procurando por indícios de merda no chão e nos móveis. “Vai vendo o futebol que o papai já desce”, o macho grita para o filhote. O bebê continua a chorar.

Este é o macho com o bebê no colo.

O macho carrega o filhote no colo, dizendo coisas como “o papai está aqui, você não precisa chorar, e além disso nem motivo para chorar você tem porque não foi em você que cagaram, porque você é um bebê esperto e estava do lado mais seguro do cu, então para de chorar, agora está tudo bem e você vai dormir.”

O macho finalmente coloca o bebê para dormir e joga sua roupa coberta de merda no tanque. Esse é o momento que a fêmea volta para casa com a caça. Ao ver o filhote dormindo, ela sente que o dia foi proveitoso. A cria está alimentada, limpa e descansando, em paz, longe dos perigos da floresta.


Este é o macho dando graças a Deus pelo fato de que o filhote ainda não sabe falar. 

7 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kell disse...

Ai, Rob. Eu lembro de quando o Konrad era bebê e ele já fez dessas. A gente fica pensando como é que cabe tanta porcaria dentro de um pacotinho tão fofo. Já teve vezes em que tive que dar banho, trocar roupa de cama do berço, repetir o processo e o bichinho dá-lhe dar risada como se tivesse ganho um prêmio.
Pior é quando eles ficam um pouco maiores e enfiam a mão, olham, e espalham pelo corpo ou pela casa... mas não quero te assustar, hahaha

Elise Garcia disse...

Eu acho que o bebê e o Gato Ridículo conseguiram chegar num acordo hahahahahaha

Well Rosa disse...

Esse ficou sensacional,Rob! Manda mais hahaha

Evaristo Ramos disse...

Kkkk, realmente demais!

Mike Wevanne disse...

Tomara que isso tudo dê XP.

Rodrigo disse...

E a coluna com os melhores do ano?